Contra a censura e as fake News
Por Renato Dornelles

Ganhador de vários prêmios de literatura, entre os quais o Jabuti de Romance (principal prêmio da literatura brasileira), em 2021, o livro "O Avesso da Pele", do escritor Jeferson Tenório, enfrenta uma grande polêmica. Na verdade, em minha concepção, fruto do conservadorismo e de ações protagonizadas por aqueles que permanentemente flertam com a censura.
A polêmica tem como ponto de partida a manifestação de uma diretora de uma escola de ensino médio de Santa Cruz do Sul. Esta professora pediu ao Ministério da Educação o recolhimento de exemplares distribuídos para alunos do ensino médio da escola. Para tanto, alegou que a obra contém "vocabulário de baixo nível" e "vulgaridade".
O "Avesso da Pele", obra que compõe a nova ficção literária brasileira, é um romance que aborda identidade e as complexas relações raciais, violência e negritude. Violência de Estado, questões raciais e relativas à sexualidade são assuntos que sempre enfrentam tabus de parte do conservadorismo, que tenta evitar que sejam tratados.
A partir da manifestação da diretora gaúcha, alguns Estados retiraram exemplares do livro das escolas públicas. Além disso, a reclamação deu margem ao oportunismo e a danosas fake News. Um homem chegou a gravar um vídeo, muito compartilhado, no qual acusa o atual governo federal de usar a obra como forma de deturpação da Educação no país.
Além do uso político, tal cidadão omite em seu vídeo que a obra de Jeferson Tenório foi incluída no Programa Nacional do Livro Didático (PNDL) por meio de uma portaria publicada em setembro de 2022, ainda no governo de Jair Bolsonaro (PL). A seleção da obra foi feita por edital em 2019, também no governo Bolsonaro.
Meu total apoio a Jeferson Tenório, que hoje será recebido no Sarau Elétrico do Bar Ocidente (Av. Osvaldo Aranha, 960, esquina com a Rua João Telles, em Porto Alegre), a partir das 20h. E todo o meu repúdio às tentativas de censura e às fake News.